AVC – Acidente Vascular Cerebral

Aos 69 anos o sr. Joaquim, pessoa de origem humilde, se gabava de sua boa saúde. “Nunca precisei ir a médico” — costumava dizer, bem humorado. “Como de tudo, fumo e até bebo um pouco, e não sinto nada. Não sei o que é dor de cabeça…” Com certeza você já conheceu alguém assim, que mais parece de ferro do que de carne e osso. São pessoas privilegiadas pela genética, com constituição provavelmente mais forte que a da média. Infelizmente, porém, abusam dessa vantagem. Destroem sua saúde privilegiada, que, mais cedo ou mais tarde, cobra caro tributo. Foi o que aconteceu com o bem disposto “velho Joaquim”. Numa tarde de muito calor alguém o encontrou caído no banheiro. Levado às pressas para um hospital, pôde, ainda, ser salvo. Os médicos explicaram que se tratava de um “derrame”. O homem forte e alegre de antes ficou completamente paralítico, confinado a uma cadeira de rodas, dependente do cuidado alheio. Nem sequer podia falar. Isso não precisava ter acontecido se Joaquim tivesse cuidado um pouco mais da saúde, ingerindo menos gordura, não fumando, não bebendo, fazendo check-ups periódicos. Bem constituído como era, poderia haver alcançado idade avançada, quem sabe 90 ou 100 anos, no desfrute de invejável saúde! Povos como os hunzas, que atingiam facilmente essa idade com admirável exuberância física, adotavam hábitos dietéticos e modo de vida saudáveis. Nossas doenças degenerativas são fruto de nosso estilo de vida.

O acidente vascular cerebral (AVC) ou acidente vascular encefálico (AVE), também chamado apoplexia, congestão cerebral ou, como o povo diz, “derrame”, designa comprometimento na irrigação sangüínea do cérebro, às vezes grave, que pode causar morte instantânea ou diferentes seqüelas, como paralisia mais ou menos extensa.

Que acontece no “derrame”?

No “derrame” ocorre bloqueio arterial ou hemorragia, que leva à perda súbita de consciência e comprometimento­ de uma parte do cérebro. Este comprometimento pode, em casos mais graves, representar degeneração, amolecimento e morte de uma parte do cérebro. Entretanto, em acidentes menos comprometedores, é possível a recuperação das funções cerebrais. O tamanho e a localização da área afetada, que deixa de ser irrigada normalmente, determinarão a gravidade do ataque. E por falar em irrigação, convém frisar que, se a obstrução é importante, total ou quase total, o perigo é maior. Até o perigo de hemorragia é, neste caso, iminente. Entretanto, se houve apenas obstrução parcial, o ataque é como um alarme do organismo, que tenta chamar a atenção para o perigo de obstrução mais grave.

Conforme a região do cérebro afetada podem ser danificadas diferentes funções. Se o acidente ocorre, por exemplo, nos núcleos cerebrais que comandam os movimentos do braço esquerdo, ou da perna direita, estes membros poderão ficar paralisados. Às vezes, a lesão acontece no núcleo de comando da visão, podendo ocorrer cegueira; no núcleo de comando da audição, podendo ocorrer surdez, e assim por diante. Se os comandos do raciocínio e da memorização são afetados, o paciente pode sofrer comprometimentos mentais mais ou menos sérios,­ como alienação e perda de memória.

Quando o comprometimento é pequeno, atingindo pequenos vasos, o prognóstico é melhor. Na maioria das vezes a recuperação é quase completa, senão completa. Não obstante, mesmo pequenos “derrames” ou “ameaças de derrame” devem alertar para o risco de novos acidentes, mais graves.

Causas orgânicas

A pressão alta, a alteração das gorduras e da viscosidade do sangue e a ateros­clerose são perturbações, freqüente­mente interligadas, que podem levar a acidentes vasculares em diversas partes do corpo (coração, cérebro e outros órgãos).

As doenças mais mortíferas do século estão relacionadas ao aparelho circulatório. São as doenças cardíacas e as dos vasos provocadas pela aterosclerose.

Os vasos sangüíneos que nutrem o cérebro vão ficando, com o passar do tempo, “obstruídos” por depósitos de partículas gordurosas e outros elementos sólidos, como cálcio e coágulos. Este “entupimento” diminui a quantidade de oxigênio que o cérebro deveria receber para o seu funcionamento normal.

Excesso de gordura na alimentação, especialmente animal (que contém colesterol e ácidos graxos saturados), excesso de sal, fumo, obesidade, hipertensão arterial, estresse e falta de exercícios físicos são alguns dos chamados “fatores de risco para as doenças ateroscleróticas dos vasos”, pois se acham intimamente ligados à angina do peito, ao enfarte do miocárdio e a outros acidentes vasculares, como o “derrame” cerebral. A vida moderna, com seus hábitos nocivos à saúde, favorece o desenvolvimento destas graves doenças.

Fatores de risco

Se o colesterol e/ou os triglicerídios no sangue estão altos, ou a pressão está alta, sinal de perigo. É preciso cuidar.

Quem já sofreu um primeiro derrame, obesos, diabéticos, fumantes, quem come muito sal e gordura, usuárias de anticoncepcionais e quem tem casos na família enquadram-se em grupos de risco. Idosos e pessoas de meia-idade correm maior risco que os jovens (muito embora possam ocorrer AVCs em jovens).

Anticoncepcional e risco de “derrame”

Mulheres que usam anticoncepcionais orais apresentam risco três a nove vezes maior para acidente vascular cerebral tromboembólico e duas vezes maior para acidente vascular cerebral hemorrágico. O estrogênio (hormônio usado no medicamento anticoncepcional) induz a síntese de várias proteínas no fígado, entre as quais o angioten­sino­gênio, substrato da renina, muito provavelmente relacionado ao aumento da pressão arterial. E o aumento da pressão é fator de risco para acidentes vasculares.

Sintomas

O ataque agudo manifesta-se geralmente sem aviso, subitamente, com perda de sentidos e paralisia de uma parte do corpo. O rosto pode ficar congestionado, vermelho, e a respiração difícil. Às vezes os AVCs são anunciados por dores fortes de cabeça, zumbido no ouvido e náuseas. Quando não há perda de sentidos, pode haver dificuldade de falar, congestionamento da face, olhos saltados, deformação da boca (“boca torta”) e sensação de perda de controle de alguma parte do corpo (paralisia).

Deve-se procurar imediatamente socorro médico e aplicar os primeiros socorros, como seguem.

Cuidados hospitalares

Muitas vezes o paciente entra em coma (estado de inconsciência do qual não se consegue despertá-lo). Sob cuidadoso monitoramento dos sinais vitais são feitos exames para estabelecer a localização e a extensão da lesão. No caso de a causa ser um coágulo, serão ministrados anticoagu­lantes.

Cuidados na convalescença

Destaquemos algumas possibilidades:

1. Há pacientes que sofrem paralisia generalizada e se recuperam completamente (plasticidade neuronal).

2. Há os que sofrem paralisia generalizada e não apresentam recuperação digna de nota.

3. Há os que sofrem paralisia parcial e se recuperam completamente ou quase completamente.

4. Há os que apresentam paralisia parcial e não se recuperam satisfatoria­mente.

Para aumentar as chances de recuperação, os cuidados fisioterápicos são muito importantes: exercitar músculos e articulações, de acordo com critérios profissionais, aplicados em clínicas de reabilitação. Os tratamentos naturais têm exibido bons resultados na recuperação de pacientes com paralisias e outras conseqüências de apoplexia.

Como deve ser a dieta preventiva

(indicada também na convalescença)

Evitar carnes, particularmente as gordurosas. Cortar gorduras sólidas, como gordura de coco, gordura vegetal, banha, manteiga e margarina. Todo cuidado é pouco com frituras, óleo, queijos gordurosos, ovos, doces, guloseimas e sal demais (incluem-se aqui as conservas e os produtos em salmoura). Utilizar abundantemente alimentos ricos em fibra, como cereais integrais, frutas e verduras frescas.

Alcachofra — Usar liberalmente alcachofra e tomar chá das folhas.

Alho — Usar liberalmente alho cru em saladas e óleo de alho, disponível em cápsulas.

Cebola — Usar liberalmente cebola (crua e cozida, não frita).

Espinafre —Usar liberalmente espinafre.

Berinjela — Usar liberalmente berinjela na alimentação, menos na forma frita. Tomar o suco diluído de berinjela em jejum, ou deixá-la de molho, picada. Coar e tomar o líquido.

Cenoura — Comer todos os dias duas ou três cenouras cruas antes do almoço.

Abacaxi — Passar alguns dias do mês com dieta exclusiva de abacaxi, ou substituir algumas refeições por esta fruta, se não houver hiperacidez gástrica.

Ameixa — Incluir copiosamente ameixa fresca na alimentação.

Maçã — Usar maçã todos os dias.

Tangerina — Fazer esporadicamente refeições exclusivas de tangerina.

Uva — Usar com moderação, em lugar do óleo de soja, óleo de caroço de uva, obtenível em casas de produtos naturais, ou importado da Argentina.

Banhos, fricções e geoterapia

Fricções com toalha molhada e depois com toalha seca ajudam a melhorar a circulação e tonificar os ner­vos, sendo, portanto, indicadas na conva­­­­­lescença.

Banhos vitais e aplicações regulares de argila são também indicados.

Tratamento pela alimentação

Plantas

Primeiros socorros em caso de AVC

1. Enquanto não chega o médico ou não é possível transportar a vítima para o hospital mais próximo, evitar ajuntamento e alvoroço, colocá-la em posição confortável, reclinada, com a cabeça um pouco mais alta que os pés.

2. Desapertar-lhe a roupa. Mantê-la tanto quanto possível imóvel e tranqüila.

3. Observar se há na boca algum objeto que ofereça risco de engasga­mento, como prótese dentária ou pedaços de alimento. Retirá-los.

4. Em caso de vômito, virar cuidadosamente a cabeça de lado para evitar que líquidos ou detritos sejam aspirados para o pulmão.

1º dia

1 limão

2º dia

2 limões

3º dia

3 limões

4º dia

4 limões

5º dia

5 limões

6º dia

6 limões

7º dia

5 limões

8º dia

4 limões

9º dia

3 limões

10º dia

2 limões

11º dia

1 limão

* Estas sugestões dietéticas estão de acordo com a proposta de clínicas naturistas. A individualização da dieta poderá requerer orientação profissional.

Dieta terapêutica natural (utilizada para prevenir e ajudar na recuperação)*

A cada dois ou três meses sugere-se o programa de uma semana de desintoxicação, como segue:

Primeiro e segundo dias: passar só com frutas, a cada três horas. Sugere-se maçã. Se houver pressão alta, utilizar pêra. Manter relativo repouso.

Terceiro e quarto dias: Meia hora antes da primeira refeição, bebida alcalinizante. (Ver modo de preparar à página 138). Mamão, maçã, pêssego ou figo com iogurte natural desnatado e torradas ou bolachas de arroz integral no desjejum; purê de batata ou de abóbora (sem manteiga, margarina ou óleo) com saladas cruas de cenoura, cebola e legumes, como couve-flor, brócoli ou berinjela no almoço, e suco de melão, ou de mamão com maçã no jantar (sem adoçar). Usar também alho em caso de pressão alta.

Quinto e sexto dias: cereais integrais em flocos com sementes de girassol, amêndoas e frutas picadas no desjejum. Arroz integral, feijão azuki, vegetais cozidos como brócolis, vagem, cebola e cenoura, e saladas cruas no almoço, e melancia no jantar (se preferir, usar melão ou uva).

Sétimo dia: Passar o dia só com maçãs (quem sofre de prisão de ventre pode combinar maçã com mamão e quem tem pressão alta pode usar pêras). Fazer refeições a cada três horas. Quem não sofre de hiperacidez pode fazer uma refeição de abacaxi e outra de ameixa. Quem sofre de pressão alta, usar pêra. Manter relativo repouso.

No mês em que não fizer a “semana de desintoxicação”, proceder à cura de limão, diluído em água, desde que não haja contra-indicação:

Quanto mais inativo o paciente, menos calórica deve ser a alimentação. Muitas refeições poderão ser substituídas por frutas, exclusivamente. Esporadicamente, em lugar da primeira refeição, suco de berinjela ou bebida alcalinizante.

Plantas*

É especialmente recomendada pelos manuais de fitoterapia a sete-sangrias.­ Inespecificamente, como depurativos, “limpadores do metabolismo”, indicam-se: dente-de-leão, tanchagem, mil-em-rama e chapéu-de-couro. Pode-se misturar sete-sangrias com dente-de-leão (ou mil-em-rama) e tomar duas ou três xícaras ao dia (com limão). Depois de uma semana, tanchagem e sete-sangrias (duas ou três xícaras ao dia, com limão). Na terceira semana, chapéu-de-couro com sete-sangrias (duas ou três xícaras ao dia, com limão). Na quarta semana repetir a dosagem da primeira e assim sucessivamente por três ou quatro meses. Os naturistas recomendam este tratamento para prevenir e tratar a aterosclerose, sendo também útil na convalescença de acidentes vasculares cerebrais.

Dosagem tradicional: Uma colher, das de sopa, de erva para 300ml de água. Ferver e coar.

Alimentos para diminuir o colesterol e prevenir o derrame

* As plantas aqui citadas são empregadas por clínicas naturistas ou medicinas tradicionais, e as doses são também tradicionais. Lembrete: Não suprimir a orientação médica.