
Como se formam os cálculos
A vesícula é capaz de absorver quantidade extraordinária de água a fim de concentrar a bile. É nesse processo de concentração que podem ocorrer alterações de solubilidade e precipitação de substâncias, com a formação de conglomerados sólidos. A bile é formada principalmente de sais biliares, fosfolipídio, mucina, pigmentos e colesterol.
É o fosfolipídio (lecitina) que deve manter, no líquido biliar, o colesterol em solução. Quando o teor de fosfolipídio diminui e/ou o de colesterol aumenta, podem ocorrer precipitações semelhantes à areia. Os grãozinhos tendem a unir-se e formar cálculos de variados tamanhos. Há casos de cálculos enormes, de vários centímetros de diâmetro. Há também casos de vesícula policalculosa, ou quase totalmente tomada por inúmeras pedras de tamanhos pequeno e médio.
Os cálculos são, portanto, na maioria das vezes, formados por colesterol, bilirrubina (pigmento) e sais biliares. Apresentam coloração cinzenta e amarelada, e consistência dura. Quando predomina a bilirrubina, as pedras desmancham-se facilmente, como terra, e têm coloração escura.
Quais as causas?
Muitas pessoas são portadoras de cálculo na vesícula. Talvez a maioria dessas pessoas não tenha conhecimento disso. A colelitíase, nome que os médicos dão à calculose da vesícula, pode passar despercebida durante toda uma existência. Mas quando resolve incomodar, é para valer.
O que produz as mudanças de concentração na bile e a conseqüente precipitação de areia ainda é objeto de muita especulação. Alguns estudiosos culpam a má alimentação (com muita gordura e açúcar) e certos fatores raciais e climáticos. A incidência em mulheres chega a ser cinco vezes mais alta que nos homens, por motivo ainda desconhecido.
Os estudiosos do naturismo alimentar culpam principalmente a alimentação. Referem estatísticas que acusam alta taxa de incidência em populações que consomem muita gordura animal, como sul do Brasil e Argentina. Pesquisas também mostram que, quanto maior o consumo de carne, tanto maior a incidência de cálculos biliares. Povos com dieta total ou parcialmente vegetariana, como os indianos e os japoneses, sofrem menos de cálculos biliares.
O excesso de açúcar, na forma de guloseimas, bebidas açucaradas e massas, também é apontado como causa de problemas de vesícula. Pode desencadear mal-estar digestivo crônico denominado “dispepsia biliar”.
Opinião dos estudiosos da vida natural
A alimentação moderna é em grande parte culpada pelo surgimento de cálculos. Pelo menos por três razões nossa comida se responsabiliza pela quase totalidade das doenças crônicas:
1. Excesso de alimentos acidificantes, que produzem pH sangüíneo sutilmente abaixo do nível fisiológico, ou acidose, devido ao consumo de carnes, molhos, doces, produtos refinados etc.
2. Excesso de gordura circulante, ou hiperlipidemia (colesterol e triglicérides), proveniente das gorduras alimentares.
3. Hiperosmolaridade por dieta com teores muito altos de determinados compostos minerais, como sódio e cálcio (sal, leite, queijo etc.).
A reunião desses três fatores cria ambiente ideal para o acúmulo e a deposição de substâncias nocivas por todo o corpo. Dentro das artérias aparecem os ateromas; nos rins e na vesícula, os cálculos; nas articulações e músculos surgem condições físico-químicas ideais para o desenvolvimento de processos reumáticos.
Cólica da vesícula
Quando a vesícula se contrai fortemente, pode haver cólica, com muita dor. A causa de contrações espasmódicas pode ser uma refeição gordurosa, a ingestão de álcool, ou mesmo um forte trauma emocional. Um cálculo pontiagudo que irrite a superfície interna da vesícula pode desencadear a crise. Nas contrações, os cálculos podem ser empurrados pelo canal, ou colédoco, provocando obstrução e mais dor.
A interrupção do trânsito da bile para o intestino faz com que aumente o teor de certos pigmentos biliares no sangue, produzindo sintomas como amarelecimento da parte branca dos olhos (esclerótica), urina escura e fezes claras.
A cólica pode começar de repente, como uma dor do lado direito, sob as costelas. É comum irradiar-se para a região do estômago e para as costas. Pode ser intensa a ponto de deixar o paciente contorcido. A região fica sensível, e a dor aumenta à mais leve palpação. Há geralmente forte enjôo e vômito. Quando há febre, pode ser indício de colecistite infecciosa. É preciso, em todos os casos, recorrer imediatamente a um médico, pois pode tratar-se de urgência.
Prevenção de problemas de vesícula
A prevenção dos distúrbios de vesícula, principalmente a formação de cálculos, se faz com dieta balanceada, saudável. Evitar alimentos gordurosos, frituras, massas e doces. Comer menos e mastigar mais. Os obesos, cardíacos e diabéticos muitas vezes portam esses distúrbios por causa de seus excessos alimentares. O mesmo podemos dizer dos portadores de doenças da vesícula; a culpa pode ser da gula.
Sugestões tradicionais para dissolver e expelir cálculos
Importante: Alguns tratamentos poderão oferecer riscos em certos casos. Observe sempre orientação médica.
Os naturopatas recomendam, para dissolver cálculos biliares, duas a três xícaras por dia de chá de pariparoba durante várias semanas (uma colher, das de sopa, da erva picada para cada 300ml de água; ferver e coar).
Uma antiga receita para expelir cálculos é, ao deitar, tomar meia xícara de azeite de oliva com sumo fresco de limão. Mexer e engolir rapidamente. Ir para a cama em seguida e continuar deitado, pois pode haver náuseas fortes. De manhã tomar chá quente de camomila.
Outra receita é misturar o azeite com suco de maçã, em vez de limão. Sugere-se ainda, para obter melhor resultado, passar com suco de maçã, de duas em duas horas, dois dias antes de tomar o azeite. É claro, manter repouso. Esta receita, segundo os naturistas, “limpa a vesícula de bile velha e concentrada”.
Cálculos poderão exigir intervenção cirúrgica, pois oferecem risco de obstrução e conseqüências graves.
Dieta totalmente sem gordura causa cálculos
Como vimos, devem-se evitar alimentos açucarados e gordurosos. Mas não se deve ir ao outro extremo, de não ingerir absolutamente nenhuma gordura. O fluxo biliar lento pode favorecer o surgimento de cálculos, e é a gordura que acelera esse fluxo. Pesquisas mostram que a dieta sem colesterol é causa de cálculos biliares. Dietas de emagrecimento muito rigorosas, adotadas por longo período, produzem cálculos biliares em algumas pessoas. Por isso, recomendamos o uso moderado de azeite de oliva, ovos cozidos de codorna e galinha caipira, amêndoas etc. Dois a quatro ovos de galinha por semana são indicados.
Recomenda-se também o uso de suplementos de vitamina E, que ajudam, na opinião de estudiosos do naturismo médico, a prevenir e até a dissolver cálculos. Usar dose profissionalmente indicada.
Camomila contra os cálculos
O chá de camomila tem múltiplas utilidades em medicina tradicional. Também ajuda, segundo os naturopatas, a dissolver cálculos. Certa vez, a autora do livro “That old Green Magic”, Claudia V. James, pôs empiricamente à prova a camomila, deixando alguns cálculos biliares muito duros de molho em chá forte de flores de camomila. Em dez dias estavam totalmente dissolvidos.
Trata-se de observação empírica e questionável, que requer, logicamente, estudos comprobatórios. Relatam-se, porém, casos de doentes de cálculos da vesícula, que se sentem bem tomando chá de camomila.
Tomar uma a duas xícaras diárias do chá das flores de camomila. Preparar por infusão (derramar 300ml de água fervente sobre uma colher, das de sopa, da planta. Filtrar e deixar esfriar).
Tomar mais líquido
Enquetes mostram que os que sofrem da vesícula tomam pouca água. Os naturopatas recomendam ingestão liberal de água. Tomar vários copos de água durante o dia. Tomar vagarosamente, aos goles.
Suco de rábano
O suco do rábano-negro é usado há séculos no tratamento de distúrbios da vesícula. Tomar, de manhã, uma a três colheres, das de sopa, de suco fresco de rábano-negro misturado em água, a saber, três partes de água para uma parte de suco (extrair em centrífuga, ou no liquidificador). Estender esse tratamento por 4 semanas e repetir a cada 3 ou 4 meses.
Banhos
Os naturistas recomendam um a dois banhos de tronco diários. Recomendam também cataplasmas diárias de argila, de duas a três horas, na região abdominal.
“Meu fígado vive incomodando” — é queixa comum. Na maioria das vezes, contudo, o problema não está no fígado, e sim na bolsinha a ele anexa, a vesícula biliar.
O fígado produz a bile, e a vesícula a concentra. A bile é um líquido de cor amarelo-esverdeada, alcalino e extremamente amargo. Uma refeição rica em gordura exige trabalho redobrado da vesícula, que deve despejar no intestino quantidade suficiente do “líquido amargo”. Sua função é, portanto, armazenar e concentrar bile para a demanda do processo digestivo.
Tratamentos
Fora da fase aguda deve-se adotar dieta leve e saudável, como vimos. A desintoxicação alimentar vem exibindo resultados práticos no tratamento de pacientes com problemas antigos de vesícula. O tratamento natural poderá não “desmanchar” ou “expulsar” os cálculos, mas ajuda a melhorar as condições gerais de saúde e preparar para a cirurgia.
De modo geral, sugere-se adotar preventivamente um regime de desintoxicação como o que se segue, por uma semana:
Desjejum: suco de mamão com maçã. No intervalo, se houver fome, maçã.
Almoço: cenoura ralada com brotos, arroz integral e legumes a gosto, como brócolis. Mastigar completamente.
Jantar: frutas picadas (frutas como maçã, pêra, fruta-de-conde, mamão etc.).
Outras providências: Substituir regularmente, algumas vezes por semana, uma refeição por fruta ou suco de fruta.
Plantas
Plantas amargas são de longa data usadas para “aliviar” problemas de vesícula: boldo, losna, taiuiá, quássia, carqueja, jurubeba e alcachofra são alguns exemplos. Pode-se misturar uma dessas plantas com espinheira-santa e cavalinha e tomar uma a duas xícaras ao dia, aos goles.
A combinação indicada é losna com espinheira-santa, camomila e erva-doce. Deixar a losna de molho em água, macerada, por algumas horas. Preparar, à parte, um decocto com as outras ervas. Misturar e tomar uma ou duas xícaras ao dia, aos goles. Dosagem usualmente indicada: Uma colher, das de sopa, das plantas picadas para meio litro de água. Preparar na forma de decocção ou cozimento e coar.
Para combater a tendência à formação de cálculos recomenda-se o chá da raiz de dente-de-leão, que deve ser usado com regularidade, pelo menos uma ou duas xícaras ao dia. Duas colheres, das de sopa, da planta picada para meio litro de água. Preparar na forma de decocção ou cozimento e coar.
Para tratar cólicas biliares indica-se a seguinte mistura: raiz de dente-de-leão, hortelã, fumária e erva-cidreira. Tomar meia xícara do infuso, vagarosamente, cada duas ou três horas. Uma colher, das de sopa, das plantas picadas para 300ml de água. Preparar na forma de decocção ou cozimento e coar.
Atenção: cólicas biliares podem indicar processo de abdome agudo cirúrgico, requerendo portanto imediata avaliação médica.
Tratamento “intensivo”
Esse tratamento provoca contrações fortes da vesícula, esvaziando-a e ajudando a aliviá-la de eventuais sedimentos. Não deve ser usado em caso de cirrose hepática, obstruções das vias biliares, icterícia crônica relacionada a cálculos e quadros agudos. Só se faz esse tratamento sob supervisão médica, numa clínica naturista.
Em jejum (7h), tomar uma xícara de chá purgativo, óleo de rícino ou um copo de água morna com duas colheres, das de sopa, de sal de Glauber. Às 10h, 100ml de suco de rábano-negro. Ao meio-dia, seis colheres, das de sopa, de azeite virgem de oliva (pode-se misturar um pouco de suco de limão para melhorar o paladar). À noite pode-se tomar chá laxante suave (como cáscara-sagrada) para remover dos intestinos o material expulso da vesícula.