Coluna, Problemas De

Que são desvios de coluna?

A coluna vertebral exibe padrão fisiológico de curvaturas. Quando nascemos, há uma só curvatura. À medida que a criança começa a andar, assumindo posição vertical, novas curvaturas vão surgindo: vista de frente, a coluna é reta, e de lado, assume o formato de um “S”, sendo convexa na altura do pescoço, côncava na região dorsal, novamente convexa na região lombar e acentuadamente côncava na altura do sacro até a extremidade do cóccix.

A coluna é a principal estrutura de sustentação do tronco. Contém, num canal bem protegido pelas vértebras, a medula espinhal, prolongamento do sistema nervoso central, de onde partem feixes nervosos para os diversos órgãos e as mais remotas partes do corpo. A coluna é, por isso, guarnecida por um complexo sistema de músculos e ligamentos. Dispõe de razoável flexibilidade e mobilidade.

Desvios de sua posição anatômica produzem deformidades que, entre outras coisas, exercem pressão sobre órgãos nobres como os pulmões, com conseqüências para o coração. Podem ocorrer dores, especialmente ao dobrar as costas ou depois de longas caminhadas. Com o tempo, essas dores às vezes desaparecem, ou aumentam, para tormento do doente.

Como muitos nervos originam-se dos forames, pequenas aberturas entre as vértebras, deslocamentos dessas estruturas ósseas provocam pinçamento das raízes nervosas, com conseqüências locais dolorosas ou distúrbios nos órgãos supridos pelo nervo afetado. A Medicina oriental ensina que qualquer problema nos órgãos mantém relação com o ponto correspondente na coluna, que deve ser tratado. Por isso, doenças como gastrite, cistite, colite ou bronquite, que aparentemente nada têm a ver com a coluna, respondem melhor ao se cuidar da vértebra correspondente.

Os desvios de coluna

Há quatro tipos básicos de desvio:

1. Cifose, ou uma curvatura acentuada para trás, que o povo chama de “corcunda”.

2. Escoliose, ou desvio para o lado.

3. Lordose, ou curvatura contrária à da cifose (para frente da parte lombar).

4. Cifoscoliose: desvio misto, com várias alterações de curvatura: curvatura lateral associada a cifose.

Qual a causa dos desvios de coluna?

Muitos problemas de coluna são devidos à má postura. O homem moderno transmite, inconscientemente, seu alto nível de estresse para os músculos, que se mantêm tensos, contraídos. Esta é causa comum de dores pelo corpo, mais especialmente nas costas. O estresse emocional massacra a coluna vertebral, provocando tensão nos músculos paravertebrais (situados ao longo da coluna) e criando hábitos posturais antifisiológicos, ao sentar, andar, trabalhar, dormir, escovar os dentes, dirigir etc. Esta é a principal causa de desvios como a cifose ou “corcunda”.

A obesidade aumenta a tração sobre a coluna, provocando lento “esmagamento” das fibrocartilagens e desalinhamentos diversos. Surgem, como conseqüência, hérnias de disco, nevralgias (como a do ciático) e desvios­ de coluna.

A vida sedentária enfraquece a cintura muscular lombo-abdominal, que serve de “parede de apoio” para as vísceras e ajuda a sustentar a coluna. O resultado é um risco aumentado de desvios, hérnias etc.

Defeitos anatômicos nos joelhos, como o genu valgum, ou pernas em “X”, e genu varum, ou pernas “em parêntesis”, e problemas congênitos, como uma perna mais curta que a outra, favorecem o surgimento de deformidades de coluna.

Doenças como poliomielite e tuberculose infantil também podem ocasionar desvios de coluna.

A poliomielite pode acarretar a paralisia dos músculos de um dos lados da coluna, com conseqüente esco­liose.

Alterações de vértebras individuais, produzidas por inflamação, ruptura de estruturas musculares etc., ocasionam modificação da curvatura da coluna.

Prevenção

Os problemas de coluna podem tornar-se, com o passar dos anos, insuportável fardo, de modo que, saber como preveni-los, é fundamental para uma vida melhor. Alguns conselhos elaborados por especialistas:

1. A prevenção se faz mediante educação e reeducação postural, que começa já na infância.

2. Os pais devem policiar os hábitos posturais de seus filhos, e, na escola, os professores devem observar o modo como as crianças caminham e se sentam.

3. Cadeiras e colchões ortopédicos ajudam na prevenção de problemas de coluna.

4. Evitar saltos altos e roupas apertadas.

5. Nunca se deve carregar peso sem o devido preparo físico. Carregar muito peso de um só lado também é contra-indicado. O halterofilismo pode trazer conseqüências indesejáveis, já que, não raro, seus aficionados, na obsessão de modelar o corpo, vencer competições, ou simplesmente ganhar músculos, ultrapassam os limites fisiológicos, impondo à sua estrutura esforços excessivos.

6. Ao levantar peso, nunca arquear­ as costas, mas dobrar as pernas.

7. Os obesos precisam emagrecer.

8. Exercícios apropriados, que fortalecem os músculos, são indispensáveis à prevenção. São muito bons os exercícios de alongamento. A natação e a hidro­ginástica são indicadas nesse caso. Observar orientação profissional.

9. Ao sentar-se, escovar os dentes, trabalhar, comer, dirigir e caminhar, manter a postura correta, erecta.

Outras causas de problemas de coluna

Problemas reumáticos, osteoporose e certos distúrbios hormonais, devidos a mau funcionamento da tireóide e da supra-renal, podem acarretar distúrbios­ de coluna.

Dieta e problemas de coluna

A alimentação interfere sutilmente nas condições ósteo-musculares, o que afeta, por extensão, a coluna, podendo, além de dores e distúrbios de natureza reumática, até propiciar o desalinhamento das vértebras. Dieta acidógena, com excesso de óleo refinado, carnes, salgadinhos, embutidos, laticínios, queijos, guloseimas, frituras etc. torna músculos, nervos e ossos mais sujeitos a processos inflamatórios e perdas ou deposições minerais.

Para garantir boa flexibilidade de músculos e ossos, recomenda-se dieta alcalinizante, rica em vegetais frescos e frutas.

Manipulações

O tratamento de certos desvios é feito por manobras de tração, realizadas em posição adequada, por profissional experiente.

O fisioterapeuta poderá orientar a reabilitação por meio de exercícios. São muito usados os exercícios dentro da água, ou hidroginástica.

Um exercício simples, usado na prevenção de problemas de coluna, é o seguinte:

Deitado num colchão duro, encolha as pernas sobre o peito. Mantenha os braços cruzados e, assim curvado, movimente-se para frente e para trás, como gangorra.

O fisioterapeuta poderá sugerir o seguinte exercício: numa barra almo­fadada, erguer o corpo com os braços, pôr o queixo cuidadosamente sobre a barra e soltar vagarosamente os braços, deixando o corpo suspenso só pelo queixo. Ficar assim tanto quanto suportar.

Argila e banhos

Aplicações de argila ao longo da coluna, duas horas por dia, são muito indicadas no alívio das dores.

Banhos de vapor, saunas e hidro­massagem diminuem as tensões musculares e aliviam as “dores na coluna”.

Duchas dirigidas à coluna agem também como bom massageador e relaxante. Particularmente saudáveis são os tratamentos em estâncias hidromi­nerais, com banhos de cachoeira.

Os problemas da “coluna”, estrutura ósteo-muscular de sustentação da parte superior do corpo, podem ser encarados como expressão da perda da estabilidade psicofísica do homem moderno. São resultado de fatores como: maus hábitos posturais, estresse, obesidade, vida sedentária e alimentação errada.

“Cura de limão”

Dieta terapêutica natural

A dieta, alcalinizante, varia de caso para caso. Recomenda-se substituir, por longo período, uma refeição diária por um tipo de fruta (ou suco), como maçã, melão, melancia e uva, que ajudam a alcalinizar o sangue. Pode-se substituir uma refeição por bebida alcalinizante (ver página 138). Diminuir alimentos acidificantes, como carnes, óleo refinado, açúcar, frituras, grãos secos, queijos e massas brancas, traz alívio no caso de “dores na coluna”. O consumo abundante ou regular dos referidos alimentos, particularmente óleos refinados, leite e queijo, segundo constatação de naturopatas estudiosos do assunto, é causa comum de “dores nas costas”, o que pode não guardar, obrigatoriamente, relação com a coluna. Também é preciso diminuir o consumo de sal.

Sucos verdes, ricos em clorofila, são indicados. Podem-se tomar, diariamente, uns 100ml de suco de couve, tanchagem, dente-de-leão ou alfafa, diluídos em água, uma ou duas vezes ao dia.

Recomendam-se suplementos nutricionais de complexo B e vitamina C. Pode-se usar a levedura de cerveja (seis comprimidos ao dia) e 250mg/dia ou mais de vitamina C. O uso de limão (na “cura de limão”), fornece a vitamina C necessária. Suplementos de cálcio e magnésio poderão ser indicados em caso de deficiência (podem-se usar 250mg de magnésio e 500mg/dia de cálcio, conforme critério médico).

Chás e outros tratamentos tradicionais

Chás diuréticos e depurativos ajudam a “drenar” dos músculos e ossos produtos de degradação que lhes possam, eventualmente, produzir alterações. Sugerem-se a cavalinha, a salsaparrilha, a tanchagem e o chapéu-de-couro, que podem ser associados e tomados de três a quatro xícaras ao dia. Duas colheres, das de sopa, das ervas picadas para meio litro de água. Ferver e coar.

A cura de limão é útil, na maioria dos casos. Tomar, no primeiro dia, um limão. No segundo, dois limões, e ir assim, sucessivamente, aumentando até dez limões. Depois, ir diminuindo de dez para nove, oito etc., numa escala descendente, até chegar novamente a um limão. Manter essa quantidade indefinidamente (tomar um limão todos os dias). Usá-los longe das refeições. Diluir em água.

O cloreto de magnésio é, de longa data, usado contra “rigidez de coluna” e dores nas costas. Os fabricantes imprimem, no rótulo, orientações sobre o preparo. Consultar um especialista.

Algas marinhas, usadas na dose de três cápsulas de 500mg ao dia, são, em muitos casos, indicadas como auxiliares no tratamento, pois fornecem nutrientes necessários à higidez do sistema locomotor.

Os orientais usam um composto natural chamado pan-long-qui-pian, cuja dose tradicional é de três comprimidos, três vezes ao dia. Encontrado em lojas de produtos orientais ou naturais.