
Que é eczema?
Termo genérico para inflamação da pele (também chamada dermatite eczematosa), que se manifesta por meio de diferentes tipos de erupção e irritação, às vezes com grandes bolhas ou áreas de descamação, às vezes na forma de pequeninas bolhas (vesículas) ou pontinhos salientes. O local afetado fica avermelhado, inchado, e costuma coçar. Há várias causas possíveis para o eczema, e as formas de apresentação são também inúmeras. Contudo, de modo geral, é difícil estabelecer a causa. Tanto que Blakiston, em seu Dicionário Médico, afirma que a etiologia (ou causa) é desconhecida.
A intensidade das manifestações dependerá da natureza do agente irritante, do grau de exposição ao mesmo e da sensibilidade de cada indivíduo. Há pessoas tão sensíveis a certos fatores que exibem fortes manifestações eczematosas, as quais se espalham rapidamente pelo corpo, como é o caso de respostas a certos princípios químicos de medicamentos. Há, entretanto, eczemas crônicos, que duram meses, até anos, cuja causa é extremamente difícil de estabelecer. Consulte um dermatologista.
Diferentes tipos de eczema
Há quem sofra de eczema do tipo dermatite de contato, que é uma forte reação alérgica a certas substâncias, como lã, metal ou produtos químicos.
Na dermatite alérgica, as substâncias irritantes exercem ação direta sobre a pele ou são trazidas pela circulação, provenientes de alimentos ou medicamentos. Nesse caso, é preciso, primeiramente, identificar o fator desencadeante de alergia (antígeno ou alérgeno) e evitá-lo. E como medida principal, fortalecer o sistema imunitário.
O eczema herpético é provocado pelo vírus do herpes.
Instabilidades emocionais podem, na opinião de muitos estudiosos, responsabilizar-se pelo aparecimento de manifestações eczematosas extremamente incômodas e rebeldes. A má nutrição celular é a vilã, para os estudiosos da oligoterapia, enquanto o estilo de vida malsão e as más digestões crônicas são causa soberana, segundo os naturistas.
Dermatite ou eczema profissional
Cândido Portinari, famoso pintor, foi vítima de sua arte. Morreu por intoxicação produzida pelas tintas. Apesar da advertência médica, não abandonou sua paixão. Entre as reações mais visíveis e incômodas, estava o eczema.
O eczema profissional provém do contato regular com substâncias irritantes, usadas no cotidiano profissional. A lista dessas substâncias é enorme e varia conforme a especialidade profissional. Entre os agentes irritantes mais comuns, divididos por atividade profissional, citamos:
1. Construção civil: cal, gesso, cimento, certas madeiras e tintas.
2. Fotografia: produtos químicos empregados em fotografia (fixadores, reveladores, anilinas etc.).
3. Mecânica: graxa, óleo, benzina, lubrificantes, gasolina, querosene etc.
4. Indústrias em geral (de tecidos, produtos de limpeza, tinta etc.): anilina, pó de madeira, vernizes, solventes, zarcão, tintas, sabões, resinas, plásticos etc.
5. Atividades como cabeleireiro e manicuro: xampus, esmaltes, acetona, fixadores etc.
6. Atividades como eletricista e encanador: borracha, fita isolante, alumínio, cobre etc.
7. Profissões na área de saúde: medicamentos, desinfetantes etc.
8. Jardinagem: plantas, adubos, fertilizantes, picadas de insetos etc.
9. Atividades domésticas: produtos de limpeza, aerossóis, inseticidas, ceras, detergentes, esponjas, sabões, panelas niqueladas e cromadas, manipulação de certos legumes e frutas (como alho) etc.
10. Atividades que exijam vestimentas especiais, como botas, capas etc.
Como se vê, são inúmeras as possibilidades de reação a fatores químicos, físicos e biológicos. À medida que a industrialização avança, aumenta a variedade de produtos potencialmente irritantes. Por outro lado, o estilo de vida do homem moderno torna-o mais vulnerável a reações alérgicas.
O contato obrigatório dessas substâncias com a pele produz reações, às vezes tão fortes, que o paciente é obrigado a afastar-se temporariamente do serviço.
Tratamento convencional
Em Medicina convencional usam-se pomadas a base de cortisona, para aliviar o incômodo. A erupção pode sumir rapidamente, mas costuma voltar logo que suspensa a pomada, o que indica não ter havido corte da verdadeira causa. Consulte sempre um médico.
Causas, segundo a Medicina ecológica
Não é fácil definir com exatidão o que provoca um eczema. Há múltiplos fatores culpáveis, que variam de indivíduo para indivíduo. Em linhas gerais, a causa é interpretada, segundo os naturistas, sobre a base da queda de resistência global somada a um grau maior ou menor de intoxicação do sangue, e a alterações emocionais. Mas qual teria sido a “gota d’água”, entre os inúmeros fatores de intoxicação, responsável por essa manifestação na pele? Os estudiosos da vida natural acreditam que a causa se esconde num órgão distante: o intestino. Também, há muitos eczemas provocados por drogas, que surgem alguns dias, ou algumas semanas após tratamento intensivo (como no caso de hospitalização). Deficiências nutricionais são lugar-comum entre as causas. Mesmo que a dieta seja aparentemente completa, distúrbios digestivos e metabólicos reduzem sofrivelmente o aproveitamento do organismo, expondo-nos a carências sutis e crônicas, difíceis de descobrir. Sentimo-nos mal, mas dificilmente concluímos (como também é difícil para o médico chegar a uma conclusão) que as células estão sofrendo de má nutrição.
Hidroterapia e geoterapia
Para estimular a circulação geral, indica-se caminhar na grama descalço, de manhã, pelo menos por uns dez minutos (depois de uma caminhada com exercícios respiratórios de uns quarenta minutos), e tomar banhos frios rápidos após prévio aquecimento. O banho vital é citado como útil para restaurar e equilibrar o fluxo de energia vital através da superfície do corpo. Pelo menos um banho vital diário e três compressas abdominais de argila por semana são recomendados.
Ebulição — é o significado grego da palavra eczema. É como se determinadas regiões da pele entrassem em ebulição, pelo aparecimento extremamente incômodo de bolhas contendo líquido. Sua ocorrência causa inchação, coceira e descamação. A par dos incontáveis agentes irritantes, o problema que se vê externamente é resultado de longo e profundo desequilíbrio interno, que, na tradição médico-naturista, pode melhorar com adequada desintoxicação associada a alimentação saudável, e, é claro, mudança no estilo de vida.
Alimentação
Programa natural de “desintoxicação”
Para desintoxicar o organismo, garantir o bom funcionamento do intestino e favorecer a melhora do eczema, os naturistas sugerem, por um mês, o seguinte programa, que deve ser ajustado a cada caso pelo profissional especializado:
Uma vez por semana ou quinzena, semijejum de frutas ou sucos (sucos frescos, não adoçados, de três em três horas). Se houver constipação intestinal (prisão de ventre), recomenda-se fruta laxante, como ameixa fresca ou pêra.
Pelo menos um ou dois dias por semana: No desjejum, suco de maçã com mamão ou suco de melancia. Lanche: Se houver fome, ingerir frutas. No almoço, salada de cereais germinados (mais indicada a alfafa germinada) com grão-de-bico, vegetais crus, legumes cozidos ao vapor, abóbora cozida ou arroz integral, ou ainda purê de abóbora. Lanche: fruta, se houver fome. No jantar, frutas, como melão, uva, ameixa, maçã e tangerina. Não misturar.
Fora dos dias de dieta especial, adotar dieta normal saudável, observando-se apenas duas coisas:
1. Meia hora antes do desjejum, bebida alcalinizante ou água com meio limão. 2. Dia sim, dia não, em lugar do desjejum ou jantar, usar apenas uma qualidade de fruta, como mamão, uva, laranja, maçã, pêssego etc. Quando se usa apenas fruta no desjejum, pode ocorrer hipoglicemia no período da manhã. A fim de evitar que isso aconteça, comer mais alguma fruta (como maçã) entre o desjejum e o almoço. Ou tomar suco de fruta.
Dez dias depois de iniciada a desintoxicação sugere-se observar suplementação, para reforço nutricional.
A dieta moderna, prejudicial à saúde sob inúmeros aspectos, é considerada a grande culpada por transtornos metabólicos que, ao aprofundarem-se, podem favorecer reações eczematosas em indivíduos suscetíveis. Evitar alimentos muito concentrados em calorias, como guloseimas, chocolate, açúcar, doces, frituras, lanches ligeiros, conservas, temperos industrializados, como molho inglês, mostarda, catchup, alimentos tratados com aditivos químicos, como refrigerantes, confeitos, doces industrializados, balas, refrescos artificiais, gelatinas, e embutidos em geral (salsicha, lingüiça, frios, presunto, toucinho etc.). Adotar dieta frugal, rica em hortaliças, frutas, oleaginosas, amêndoas e cereais integrais.
Nutrientes para reforço nutricional*
Plantas e outros remédios tradicionais
Os suplementos nutricionais são úteis em muitos casos, mas a indicação e a dosagem individual devem ser estabelecidas por um profissional especializado.
No caso de eczema sugere-se um suplemento nutricional completo, isto é, que contenha todos os nutrientes, e com a devida permissão de um dermatologista.
Particularmente importante é o complexo B, presente em alimentos como o lêvedo de cerveja.
Nas doenças da pele não se deve esquecer o papel vital dos tocoferóis (vitamina E), associados ou não à vitamina A. Sugerem-se doses que variam de 100 a 400 unidades ou mais de vitamina E por dia, o que deve ser definido por um especialista. Há, no mercado, inúmeros suplementos naturais de vitamina E e de óleo de germe de trigo. Quanto à vitamina A, sugere-se o uso de pelo menos um copo de suco de cenoura com salsão ou agrião antes do almoço, diariamente.
Relatam-se casos de pacientes que, mudando a alimentação e usando suplementos de vitamina E, exibiram notável melhora de eczemas que os incomodavam havia anos. Quando o uso interno de vitamina E não produz o resultado esperado, indica-se aplicá-la externamente, na forma de pomada.
Recomenda-se suplementação dietética que inclua os seguintes cuidados:
Levedura de cerveja.
Vitamina E: 400 unidades diárias.
Vitamina A: Incluir na dieta vários alimentos ricos nessa vitamina, como cenoura, abóbora, brócolis, etc.
Geléia real. (Verificar se não há alergia à geléia real).
Para uso interno, chapéu-de-couro em associação com bardana, tanchagem, raiz de dente-de-leão e salsaparrilha. Misturar essas plantas em partes iguais e derramar meio litro de água fervente sobre uma colher, das de sopa, de plantas picadas. Tomar de duas a três xícaras ao dia, durante uma semana. Falhar dois ou três dias, em que se toma apenas abundância de água com um pouco de suco de limão. Em seguida, voltar às ervas.
Para uso externo indica-se uma combinação antiga e eficaz, com bardana, confrei e raiz de hidraste em pó. Misturar as três plantas em partes iguais, de modo que se obtenham duas colheres das de sopa. Derramar água fervente (250ml), deixar esfriar e aplicar sobre o local compressas frias embebidas nesse líquido, pelo menos duas vezes ao dia. Também se pode preparar pomada com as mesmas plantas e o pó obtido da casca ralada de olmo. Misturar esse pó a um pouco do líquido, de modo a obter massa pastosa, e aplicar sobre o local.
Bardana — A bardana, usada só, é um dos remédios mais antigos que se conhece contra problemas de pele. Externamente, usa-se toda a planta (inclusive as sementes). Prepara-se infuso concentrado e aplica-se no local várias vezes ao dia.
Casca de olmo — Os ciganos tratam o eczema com casca de olmo e estramônio. Fervê-los juntos até obter mistura consistente. Para evitar que a pomada grude à pele, sugere-se aplicar azeite antes, e removê-la com água morna.
Carambola — Tomar o suco de três a cinco carambolas por dia, na forma de refresco, sem adoçar. Em certas dermatites rebeldes, vem revelando efeitos rápidos e eficazes.
Confrei — É indicado tradicionalmente na forma de pomada: mistura-se pequena quantidade de chá concentrado de confrei com mel e óleo de germe de trigo. Aplica-se no local, contra distúrbios da pele. O Dr. Zofchak, famoso herborista americano, recomenda o decocto forte da raiz de confrei em uso externo, contra eczemas. O efeito é melhor ao se misturar a esse chá a casca de hamamélis, a casca de carvalho-branco e um pouco de hidraste (botão-de-ouro).
Erva-de-jabuti — Remédio tradicional do Norte do Brasil: Aplicar nos locais irritados as folhas maceradas.
Japicaí — No tratamento de eczemas e impigens, usa-se a seiva do japicaí (Xiris laxifolia).
Mata-pasto — Planta comum em locais úmidos, é muito usada em dermatoses: misturar 50ml do sumo das folhas com 25ml do sumo de limão e aplicar no local. Quem é sensível ao limão deve usar as folhas secas e pulverizadas, misturadas com um pouco de água, na forma de pomada.
Melão-de-são-caetano — Em caso de eczemas e alergias de pele tomar banhos com o chá concentrado da planta.
Mil-em-rama — Planta de múltiplas utilidades, usada desde o tempo dos antigos gregos, é também muito útil no combate a doenças de pele, como eczema. Aplicar, no local, três ou quatro compressas diárias do chá bem forte de toda a planta (fomentações).
Tanchagem — Indica-se aplicar o sumo dessa planta (muito bem lavada) localmente.